FaceApp e a coleta de dados através de "iscas" (de novo)

Em 2019 o FaceApp ficou super conhecido por criar fotos das pessoas mais velhas - depois discutiu-se sobre os dados que o aplicativo coletava. Agora, o aplicativo ressurge com a funcionalidade de ver como seria o rosto da pessoa caso tivesse o sexo oposto. Além de discutir bastante sobre os direitos e deveres desses casos, acredito que ainda precisamos aprender muito (como sociedade) a usar as tecnologias e entender os efeitos - educação tecnológica é algo que demora e, pela velocidade com a qual a tecnologia evolui, fica cada vez mais difícil.
A Mellanie Fontes-Dutra fez um fio interessante no Twitter sobre o assunto.

6 Curtidas

De início, concordo plenamente que a discussão sobre educação tecnológica (nesse caso especificamente sobre a proteção de dados) é extremamente importante.

Nesse caso do Faceapp e demais aplicações criadas como fachada para coleta de dados de usuários, acredito que um dos aspectos a ser debatido é a possibilidade de ser imposta a responsabilidade das plataformas como Facebook e lojas de aplicativos em apresentar um aviso ostensivo e claro ao Usuário sobre os dados que estão sendo compartilhados e os riscos disso.

2 Curtidas

Perfeito, foi o maior exemplo da necessidade de uma educação tecnológica.
Apesar do déficit na educação “analógica” no país, acredito que devemos nos antecipar a esse ponto, pois o retrocesso trará diversos problemas de ordem social e econômica.

1 Curtida

@joaofilipedesa exato, devemos buscar resolver esse problema antes que seja tarde demais.

Nesse caso em especial, a entrega dos dados é voluntária, feita por ação do próprio usuário, ainda que esse não tenha noção do risco que está assumindo.

1 Curtida

Como solicitar a exclusão de dados do FaceApp

  1. Abra o aplicativo;
  2. No canto superior esquerdo clique no ícone de Configurações/Ajustes e depois em Suporte;
  3. Clique em “Solicitar remoção de dados na nuvem”;
  4. Confirme a solicitação clicando em Excluir.
1 Curtida

Exato!
Os usuários não tem conhecimento do alcance que esses aplicativos têm no acesso às informações pessoais e sigilosas e de que forma essas informações serão utilizadas. Os termos de uso são rasos, e nem são lidos pelos usuários.
Concordo que deva haver uma forma de alerta ao abrir o aplicativo informando de forma mais clara quais dados serão coletados, para qual fim serão utilizados, e até quando esses dados ficarão disponíveis para a plataforma.

A utilização indevida dos dados dos usuários coletados do Facebook, por exemplo, já foi objeto de escândalo no caso da Cambridge Analytica. No entanto, não há informação clara das implicações para aqueles que são leigos no assunto.

1 Curtida

Acredito que caberia às autoridades de proteção de dados regidas pela LGPD/GDPR impor às plataformas a responsabilidade de informação ostensiva dos usuários sobre o uso dos dados.

O que resta estudar é se esta possibilidade está dentro do escopo da legislação atual.

2 Curtidas

Outra thread interessante é a do Caff, professor da UERJ e diretor do ITS. Ele fala que o FaceApp atualizou a política de privacidade desde o escândalo do ano passado, e que agora ela está até decente se comparada a outros aplicativos. Não que isso signifique muita coisa, porque não temos como controlar se estão realmente aplicando isso ou não.

Sobre a solução da educação digital: claro que ela é importante e deve ser estimulada (o CGI e da Safernet tem ótimos projetos nesse sentido) mas, na prática, estou cada vez mais cética. É colocar nas mãos dos usuários (hipossuficientes nas relações com as grandes empresas) a responsabilidade de controlar os próprios dados.

A educação digital tem que vir aliada a muitas outras coisas, como painéis de privacidade que te deixam escolher o que você quer compartilhar ou não.

Além disso, acredito que algumas áreas da privacidade informacional devem ser absolutamente protegidas e não podem ser negociadas individualmente (na linha da quarta geração de leis de proteção de dados pessoais).

3 Curtidas

Concordo com a sua colocação.

Não acredito que seja eficaz colocar a responsabilidade sobre a proteção dos dados nas costas do usuário, eu defendo que essa responsabilidade deve ser suportada pelas plataformas. Deve caber a elas passar as informações e riscos sobre o compartilhamento de dados de forma fácil e simples ao usuário.

Tudo isso sob a fiscalização das autoridades competentes, públicas ou privadas.

3 Curtidas